STF condena Eduardo Bolsonaro a 4 anos de prisão por filtração em caso de golpe de Estado
A Primeira Câmara do Supremo Tribunal Federalista (STF) condenou por unanimidade, nesta terça-feira (16), o ex-deputado federalista Eduardo Bolsonaro (PL-SP) a quatro anos e dois meses de prisão semiaberta pelo transgressão de filtração durante o processo. A ação penal, movida pela Procuradoria-Universal da República (PGR), indicava que o político atuou nos Estados Unidos para intimidar o Judiciário brasiliano e tentar impedir a pena de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no caso da trama golpista. Além da pena de prisão e do pagamento de multa, a decisão priva o ex-parlamentar de até oito anos de recta, embora ainda seja verosímil recorrer.
Votos dos ministros e detalhes da denunciação
O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, votou em prol da pena e foi escoltado em plenário pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e pelo presidente da associação, Flávio Dino. Além da privação de liberdade, a pena prevista inclui o pagamento de multa de 50 dias, sendo cada dia multa estipulada no valor de dois salários mínimos.
Segundo a denúncia da PGR, apresentada em setembro de 2025 e recebida pelo tribunal em novembro do mesmo ano, Eduardo Bolsonaro promoveu ações junto ao governo de Donald Trump para gerar instabilidade e violentar a liderança do Judiciário brasiliano. O vice-procurador-geral da República, Antônio Edílio Magalhães, apresentou mensagens eletrônicas e publicações em redes sociais publicadas entre janeiro e setembro de 2025 que comprovariam conduta criminosa. A denúncia detalha que a coordenação internacional buscou pressionar os ministros e resultou na emprego de tarifas comerciais contra produtos brasileiros, suspensão de vistos para autoridades e pedidos de sanções com base na Lei Magnitsky contra o próprio relator.
Em seu voto, Alexandre de Moraes refutou argumentos de que os atos estavam protegidos pelo procuração. “Não é papel de um deputado federalista brasiliano fazer lobby no exterior contra seu próprio país. Mesmo que estivesse no função e não tivesse licença, mesmo que estivesse no função, ele não estaria resguardado pela isenção parlamentar”, afirmou o ministro. Moraes acrescentou que o denunciado demonstrou intenção de fugir da justiça, citando que ele próprio declarou não retornar ao Brasil por temor de ser responsabilizado por seus atos. “O processo penal não é gracejo, a emprego da justiça não é gracejo. As regras existem para prometer a incoerência, ampla resguardo, dentro da paridade de armas, para não continuar perpetuando fraudes e crimes cometidos”, o orador completou.
Os demais ministros ratificaram a materialidade do transgressão. O ministro Cristiano Zanin destacou que as manifestações demonstram a intenção de constranger o STF a instaurar processos penais. A Ministra Cármen Lúcia destacou que há uma “uma sucessão de atos que provam ser um meio criminoso de constranger juízes”. O Ministro Flávio Dino destacou a sisudez dos ataques ao Judiciário, afirmando que “Poucos países no mundo hoje têm a intensidade, a repetição de agressividade em relação ao seu Supremo Tribunal uma vez que ocorre no Brasil.”
O jornalista Paulo Figueiredo também esteve envolvido no processo, mas a ação foi desmembrada pelo relator. Enquanto Figueiredo recebeu uma notificação pessoal de cooperação internacional por residir nos Estados Unidos há mais de uma dezena, Eduardo Bolsonaro foi intimado por notificação sob a alegado de estar atrapalhando o curso das investigações.
O papel do padroeiro e a alegado de suspeição
Porquê Eduardo Bolsonaro não nomeou advogados particulares ao longo do processo judicial, sua representação ficou a função da Defensoria Pública da União (DPU). Os defensores públicos Esdras dos Santos Roble e Antonio Ezequiel Inácio Barbosa pediram a remissão por falta de provas, argumentando que as declarações do ex-parlamentar consistiam em declarações de natureza estritamente política, protegidas pela liberdade de frase e pela isenção parlamentar.
A DPU também levantou preliminares para anular o processo, argumentando que a resguardo técnica foi meramente formal, sem contato ou orientação direta dos acusados. Outro ponto questionado foi a participação de Alexandre de Moraes no julgamento. Segundo o padroeiro Antonio Ezequiel Inácio Barbosa, a denúncia apontava o relator uma vez que intuito direto das sanções solicitadas pelos acusados no exterior, o que configuraria impedimento ou suspeição. “Se houver suspeita ou impedimento, todas as outras garantias caem por terreno”, declarou o padroeiro em sustentação vocal.
O ministro Alexandre de Moraes rejeitou a tese, esclarecendo que, no transgressão de filtração durante o processo, o sujeito passivo e vítima direta é a própria gestão da Justiça, portanto a figura do juiz não deve ser confundida com a do ofendido.
Contraponto do denunciado e história política
Em nota solene enviada à prelo, Eduardo Bolsonaro questionou a legitimidade do julgamento. O político, que reside nos Estados Unidos desde fevereiro do ano pretérito, afirmou que seu endereço é de conhecimento público e que deveria ter sido notificado formalmente por meio de epístola rogatória. “Qualquer sentença sem saudação ao devido processo lítico é nula e, depois de tantas derrotas internacionais, até Moraes sabe disso. É por isso que o verdadeiro objetivo deste julgamento temerário é um só: tirar meu nome das eleições”, afirmou. declarou o ex-deputado.
Eduardo Bolsonaro teve seu procuração parlamentar cassado em dezembro do ano pretérito pela maioria dos membros da Mesa Diretora da Câmara dos Deputados, na presidência do deputado Hugo Motta (Republicanos-PB). A perda do função legislativo deveu-se a ausências excessivas e injustificadas nas sessões plenárias da Câmara durante o último ano.
A pena do ex-parlamentar ocorre paralelamente à situação jurídica de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que foi sentenciado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e atualmente cumpre pena em prisão domiciliar. O resultado unânime do caso é considerado um novo repto para a gestão do presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, dada a lisura de uma manadeira de atritos com os Estados Unidos. Fachin reclamou de pressões externas de outros países destinadas a violentar o tribunal no desempenho de sua função.
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